Início > Medicina > EXAME CLÍNICO, UM RESUMO

EXAME CLÍNICO, UM RESUMO

Nessa linha de pensamento, quanto maior o progresso dos recursos técnicos mais importante se torna a entrevista com o paciente, não apenas para analisar sinais e sintomas, mas principalmente para conhecer e cuidar de um doente.

Anamnese

A anamnese é fundamental na relação médico-paciente que, por sua vez, é o componente mais importante na adesão ao tratamento, principalmente quando se propõem mudanças no estilo de vida e uso contínuo de medicamentos. Uma boa relação médico-paciente influi não só na adesão, mas também nos resultados das intervenções terapêuticas, sejam elas quais forem, farmacológicas, dietéticas, cirúrgicas.Não se pode esquecer também que fazem parte dos mecanismos íntimos do exame clínico, melhor dizendo, deste outro lado do exame clínico, as qualidades humanas consideradas fundamentais para se cuidar de pacientes, representadas por respeito, integridade e compaixão.O respeito, expresso em nossas palavras, gestos e atitudes, é o elemento primordial na valorização da condição humana do paciente. Integridade, outra qualidade indispensável, é representada pela necessidade de não enganar ou ludibriar o paciente com afirmativas falsas, ameaças veladas ou claras de riscos inexistentes, promessas vãs. Compaixão, qualidade difícil de definir, reside em nossa capacidade de compreender o sofrimento do paciente e estar disposto a fazer tudo o que for possível para eliminá-lo ou aliviá-lo.O papel do exame físico na cardiologia vem-se modificando ao longo dos anos, mais acentuadamente após a entrada, na prática cotidiana, dos exames complementares que modificaram totalmente nossa capacidade de avaliar a estrutura e as funções do sistema cardiovascular. Contudo desejo ressaltar aqui o “outro lado” do exame físico.

Exame físico

A inspeção continua sendo uma técnica indispensável, não só pelo que pode fornecer no exame do coração, mas também pela visão de conjunto que propicia sobre o paciente, mais do que qualquer outro método. Porém é preciso se ter consciência de que inspecionar não é a mesma coisa que olhar. Inspecionar é apenas um recurso semiotécnico, enquanto olhar é um componente da relação entre duas pessoas.A palpação do pulso radial tem dois significados independentes. O primeiro é sua capacidade de mostrar alterações do ritmo, da freqüência cardíaca, as características da onda de pulso e da parede arterial. O outro significado é o de ato simbólico do contato físico com o paciente. Em geral, é pela palpação do pulso radial que fazemos o primeiro contato físico com o paciente. Neste momento não se deve perder a oportunidade de avaliar as mãos do paciente. Mãos trêmulas, frias e sudorentas expressam ansiedade, cujo reconhecimento é sempre importante no momento de tomar decisões e anunciá-las ao paciente. Além disso, o ato de “tocar” o paciente pode representar uma real aproximação entre o médico e o paciente e um sinal de apoio em um momento de fragilidade e receios.É de fundamental importância compreender e valorizar o significado psicológico do exame físico. O componente afetivo, embora mais nítido e evidente na anamnese, visível na maneira de o paciente falar, em nossos gestos e atitudes, também está presente no exame físico e precisa ser mais bem reconhecido, porque pode transformar-se num dos fatores de fortalecimento da relação médico-paciente.Para o paciente, as técnicas que usamos para identificar alterações anatômicas ou funcionais – inspeção, palpação, percussão e ausculta – contêm em si outro componente, muitas vezes esquecido ou desprezado pelo médico. Constitui o “outro lado” do exame físico. Assim, na inspeção está incluso o ato de olhar; na palpação e na percussão, o de tocar e na ausculta, o de ouvir. É necessário compreender que inspecionar e olhar são indissociáveis, enquanto palpar e tocar são procedimentos que se completam. A síntese desse duplo significado do exame físico é facilmente compreendida se o médico estiver atento para compreender o que os pacientes querem dizer quando falam: Doutor, estou em suas mãos!, expressão que revela duplo sentido, pois significa que o paciente espera que de nossas mãos saia uma prescrição, um procedimento ou ato cirúrgico capaz de livrá-lo de um padecimento, assim como a nós está entregando-se, permitindo-nos decidir ou ajudá-lo a escolher o que é melhor para ele. Nesta hora acontecerá ou não uma aliança – aliança terapêutica – que vai decidir o sucesso ou o fracasso de nossas ações.Quando o médico olha o paciente, ele não só está inspecionando o corpo (parte técnica), reconhecendo palidez, cianose, icterícia e outras alterações, mas também está vendo a pessoa como um todo, nunca se esquecendo de que o coração do paciente não está sobre nossa mesa para ser examinado, mas no peito de uma pessoa que confiou em nós. Ou seja, ao olhar o paciente, conseguimos reconhecer alterações anatômicas e funcionais, ao mesmo tempo que podemos detectar aspectos emocionais, como – por exemplo – uma expressão facial tensa ou angustiada. Quando palpamos ou percutimos, podemos não apenas identificar modificações estruturais, mas também ter em mente que estamos tocando o corpo do paciente com nossas mãos. Tocar, do ponto de vista psicológico, é mais do que palpar. Quando o médico ausculta pode perceber ruídos originados no corpo, porém, muitas vezes, é mais importante saber ouvir o que o paciente está a nos dizer com palavras ou gestos. Donde se conclui que o médico que reconhece e valoriza o outro lado do exame clínico sabe inspecionar e olhar, palpar e tocar, auscultar e ouvir. Os dois componentes – semiotécnica e significado psicológico – reforçam-se mutuamente, fazendo do método clínico um inesgotável manancial de informações sobre a doença e o doente.Ao longo de minha vida como Clínico, aprendi a usar a parte final da ausculta do coração para um momento de reflexão sobre o paciente que tinha perto de mim. Em um ou dois minutos, aproveitando aquele instante de silêncio e concentração, fazia um balanço de tudo o que ouvira e observara, não apenas do ponto de vista semiológico, mais do que isso, procurava inserir todos os dados clínicos no contexto da vida daquela pessoa que ali estava à espera do que eu iria dizer-lhe e que, muitas vezes, seria decisivo para a sua vida e a de seus familiares.

O Estudante de Medicina e o Exame Clìnico

Enquanto estudante, o examinador deverá seguir as etapas da anamnese.

1. Anamnese

1.1.           Identificação

a)     Nome – Primeiro dado a ser coletado

b)     Idade – Há patologias associadas à faixa etária

c)      Sexo – Há patologias associadas ao sexo; diferenças anatômicas e fisiológicas

d)     Cor – Preferível, pois o Brasil tem grande mistura de raças; Branca, parda, Preta

e)     Estado Civil – Aspecto Social

f)        Profissão – Considerar em conjunto com outros fatores sociais e biológicos

g)     Local de Trabalho – Pode agravar determinadas doenças

h)      Naturalidade – Local onde o paciente nasceu

i)        Residência – Residência atual e anteriores, incluindo endereço; Doenças infecciosas e parasitárias em função de clima, hidrografia e altitude

j)        Procedência – O paciente pode vir de área endêmica, por exemplo 

1.2.           Queixa Principal – o que levou o paciente a procurar o médico, repetindo se possível as expressões por ele usadas desde que não afete a interpretação dos sintomas, já que a suspeita do paciente pode ser diferente do real acometimento 

1.3.           História da Doença Atual – em ordem cronológica, com sintomatologia, época de início, se tem meio e fim, sintomas-guia como fio condutor que possa se relacionar com outras queixas do paciente, interpretadas pelo coletador 

1.4.           Doenças preexistentes e medicamentos em uso – podem estar correlacionados 

1.5.           Interrogatório Sintomatológico – ou revisão dos sistemas 

a)     Sintomas Gerais – febre; astenia (fraqueza); sudorese; calafrios; prurido; lesões cutâneas e outras alterações; alterações no desenvolvimento físico (nanismo, gigantismo, puberdade precoce ou atrasada)

b)     Cabeça e Pescoço – crânio, face, pescoço, nariz e cavidades, cavidade bucal e anexos, faringe, laringe, tireóides e paratireóides, vasos e linfonodos

c)      Tórax – parede torácica, traquéia, brônquios, pulmões, pleuras, diafragma, mediastino, coração, grandes vasos e esôfago

d)     Abdome – parede abdominal, estômago, intestino delgado, cólon, reto ânus, fígado, vias biliares e pâncreas

e)     Sistema Genitourinário – rins e vias urinárias, e órgãos genitais masculinos/femininos

f)        Sistema Hemolinfopoiético

g)     Sistema Endócrino – Hipotálamo e Hipófise, tireóide, paratireóides, supra-renais e gônadas

h)      Metabolismo

i)        Coluna Vertebral e Extremidades – ossos, músculos, artérias, veias, linfáticos, microcirculação

j)        Sistema Nervoso

k)      Exame Psíquico e Avaliação das Condições Emocionais 

1.6.           História Natural da Doença 

1.7.           Antecedentes Pessoais e Familiares – Pessoais: fisiológicos e patológicos; Familiares: estado de saúde dos vivos, e causa do óbito e idade em que ocorreu  

1.8.           Hábitos de Vida, Condições Socioeconômicas e Culturais e Condições Ambientais – alimentação, habitação, ocupação atual e anteriores, atividades físicas, tabagismo, etilismo, vida conjugal e ajustamento familiar 

2.         Exame Físico

2.1.           Exame Físico Geral – Inspeção, palpação, percussão, ausculta, e o uso de alguns aparelhos simples são designados ao exame físico, são necessários e tem fundamental importância psicológica para o paciente. As posições do paciente: em decúbito dorsal, lateral ou ventral, ou posição sentada ou de pé (posição ortostática, supina) 

2.2.           Exame de Órgãos e Aparelhos – Exames específicos

Fonte: Porto CC. Semiologia Médica, 5ª Ed.

About these ads
CategoriasMedicina
  1. janeiro 15, 2008 às 10:33 pm | #1

    Adorei o seu blog muito dez!!! Está de parabéns! Muito interessante!
    ah se puder acesse meu site também da nossa clínica de psicoterapia e terapias alternativas!
    http://www.haraterapias.com.br/inicio.html

    grande abraço,
    Clarissa

    • allexpd
      outubro 2, 2011 às 10:39 pm | #2

      Obrigado…
      Não consegui acessar seu site.
      Abraço

  2. murilo
    abril 14, 2008 às 8:36 pm | #3

    mtoo bom!

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: